Hortas, pomares e jardins

José Renato Nalini

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A casa é o refúgio sagrado para as famílias. O teto é uma reivindicação legítima. A moradia, um direito fundamental explicitado na Constituição. Verdade é que muitos brasileiros ainda não tiveram acesso à moradia. Uma luta incessante, pois as demandas são infinitas e os recursos escassos. Mas uma boa parte da população tem onde se abrigar.

Os felizes moradores de uma residência digna têm condições de colaborar com a salvação do planeta. Ora, o planeta Terra está correndo risco? A Terra, propriamente, não. Quem corre risco é a vida que se distribui sobre seu solo. As mudanças climáticas, resultantes do aquecimento global, geram consequências nefastas para toda espécie existencial. Principalmente o ser humano. E os mais vulneráveis são os que mais sofrem. Exatamente aqueles desprovidos de uma vida compatível com o princípio da dignidade humana.

Os proprietários de residências podem colaborar como? Mantendo hortas, jardins e pomares. Isso era muito comum há não muito tempo atrás. Infelizmente, a cultura foi comprometida com o afã de eliminar o solo natural. Tudo é compactado, cimentado, concretado, ladrilhado, azulejado. E não há mais terra pura, onde as sementes germinam, onde a natureza viceja.

Quem possui alguns centímetros quadrados de terra pode e deve preenchê-los com vegetação. De preferência, nativa, no nosso caso, espécie da Mata Atlântica, o nosso bioma. Essa vegetação, sob a forma de árvores, arbustos, qualquer espécie de planta, ajudará a Terra a dispor de temperaturas saudáveis, combatendo a onda de calor que mata mais do que o frio. Ajudarão a regular o regime de chuvas, pois onde não há verde não há chuva. Onde não há chuva não há água. Onde não há água, não há vida.

Será que as novas gerações poderão contar com você para esse projeto salvífico? Sem isso, o aquecimento global continuará e, com ele, a aceleração do processo de extinção de toda espécie de vida sobre este sofrido Planeta. Ele continuará a existir. Mas vai abrir mão da presença do humano, inquilino infiel, que deteriora e lapida o seu único habitat.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).

Publicado na edição 10.850, de sábado a terça-feira, 15 a 18 de junho de 2024