Lucas Evangelista: pioneiro do jornalismo bebedourense

José Pedro Toniosso

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Lucas Evangelista (1881-1940): uma vida dedicada à informação, ao comércio e ao desenvolvimento social de Bebedouro. Foto: acervo do autor

Na trajetória histórica de Bebedouro, 1899 pode ser considerado um ano especial, tendo em vista que foi quando ocorreu a elevação do povoado à categoria de cidade, resultado da aprovação da Lei Municipal no. 34, de autoria do coronel Eduardo da Silva Pereira.

No ano seguinte, os munícipes vivenciaram o início da imprensa local, com a fundação do primevo “Cidade de Bebedouro”, que, embora se autodenominasse uma “publicação imparcial e semanal”, era notadamente um jornal situacionista, no qual as loas aos líderes políticos da época eram constantes.

Embora este jornal precursor tenha circulado por pouco tempo, um dos seus responsáveis, Lucas Evangelista, logo estaria à frente de outros periódicos, entre eles a primeira “Gazeta de Bebedouro”, lançada em 1902 e de duração efêmera, e o “Jornal de Bebedouro”, um dos periódicos mais importantes na história da imprensa local e que circulou entre 1906 e 1935, estando sob sua direção por cerca de quinze anos, inicialmente como o órgão oficial do Partido Republicano.

Além destes, entre 1922 e 1923, Lucas Evangelista comandou também o jornal “A Vanguarda”, outro periódico de significativa importância na história da imprensa bebedourense, com pautas que se contrapunham ao situacionismo do “Jornal de Bebedouro”.

Mas sua principal contribuição no campo do jornalismo local foi o lançamento do segundo jornal com a denominação de “Gazeta de Bebedouro”, em 6 de junho de 1924, periódico que, entre tantos, viria a se tornar o mais duradouro, tendo ultrapassado a marca de 102 anos quando este artigo é escrito.

Durante o período em que esteve sob sua direção, a Gazeta noticiou episódios históricos cruciais, como a Revolução de 1930, que conduziu Getúlio Vargas ao poder; a Revolução Constitucionalista de 1932; o surgimento de movimentos políticos extremistas, como o integralismo e o aliancismo; e a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Lucas Evangelista não veria o final da guerra, nem mesmo a adesão do Brasil ao lado dos países aliados, com a ida de milhares de expedicionários para os campos de batalha, incluindo bebedourenses, os quais contribuiriam para a derrota dos países do Eixo.

Com o seu falecimento em 3 de agosto de 1940, dez dias após uma delicada cirurgia realizada na Santa Casa, a Gazeta continuou sob a condução da esposa e dos filhos, até que, em 1943, fosse adquirida pelo jornalista José Caldeira Cardoso – Juca Caldeira, que esteve à frente do periódico por cerca de 45 anos, até seu falecimento, sendo sucedido em 1988 por Sarah C. Pacheco Cardoso, que desde então se mantém na direção do jornal.

Mas a biografia de Lucas Evangelista não se restringe ao campo do jornalismo. Nascido em 1881 na cidade mineira de São Sebastião do Paraíso, mudou-se muito jovem para Bebedouro, casando-se em 1902 com Antônia (Tônica) Evangelista, com quem teve três filhos: José, Darcy e Daisy.

Em 1906, abriu o estabelecimento comercial denominado Casa Guarany, oferecendo produtos de papelaria, livraria e serviços tipográficos, como encadernações, impressões, cartões-postais, folhinhas e outros, o que fez com que a loja se tornasse uma das mais afamadas da cidade.

Foi um dos fundadores da Associação Paulista de Imprensa e membro do Conselho Regional de Imprensa, com sede em Bebedouro. Colaborou com a fundação da Santa Casa de Misericórdia, em 1914, e, como membro da Sociedade Obreiros da Caridade, trabalhou para a construção da Vila dos Pobres, que posteriormente, a partir de 3 de agosto de 1941, passou a ser denominada Vila Lucas Evangelista.

Como outra homenagem prestada ao jornalista, em reconhecimento ao seu incansável trabalho e à sua relevante contribuição para com a sociedade local, a antiga Rua da Independência passou a ser denominada Rua Lucas Evangelista.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense, www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.046, sábado a terça-feira,

7 a 10 de novembro de 2026 – Ano 102