O extermínio da espécie

José Renato Nalini

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Tenho refletido bastante sobre a perversa atuação dos exterminadores do futuro, que persistem na sua empreitada de destruir a natureza e,  com isso, abreviar a aventura humana neste planeta.

Todavia, não é o único perigo que ameaça os humanos, segundo alguns pensadores. A possibilidade de uma extinção da vida racional pelo suprassumo da criação inteligente, não está fora do horizonte da futurologia.

O filósofo e professor da universidade de Oxford, Nick Bostrom, em seu livro “Super inteligência: caminhos, perigos, estratégias”, sustenta ser questão de tempo chegar ao estágio em que os computadores superem nosso intelecto e nos considerem descartáveis.

É mais do que provável que a inteligência artificial ultrapasse a capacidade intelectual de gênios como Isaac Newton, Charles Darwin e Sigmund Freud. A forma de se atingir a super inteligência não se restringe ao aprimoramento técnico de equipamentos já existentes. Nem se circunscreve ao aumento da capacidade dessas máquinas. O perigo está na combinação cérebro e máquina. É possível simular a evolução das espécies e, portanto, ao criar um algoritmo genético, daríamos concretização à ideia de gerar bebês super inteligentes. Seriam eles mais inteligentes do que a máquina? Ou teriam qualificação para criar equipamentos de inteligência ainda superior?

Uma outra fórmula de se atingir a super inteligência é aceitar ligações entre entes com intelecto privilegiado. Algo parecido com a internet. Só que toda máquina demanda programação e as mais inteligentes serão capazes de fazer interpretações que os seus programadores não imaginaram. Isso é o que se chamaria “criação perversa” e que, sem o limite da ética poderia conduzir à extinção da raça humana.

Um outro tema é o que ele chama de “infraestrutura em profusão”, situação em que a máquina interpreta limites humanos como empecilho, para o exato cumprimento de seu objetivo. Se o humano é um obstáculo, deve ser removido. E não vale objetar com a previsibilidade humana para controlar a máquina. Nesse estágio, ela seria apta a perceber, pois mais inteligente do que os humanos e também teria a habilidade de dissimular. Lembra ficção científica? Os adeptos dessa verdadeira arte sabem que os ficcionistas ficaram para trás diante da realidade com a qual hoje já podemos contar.

(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – gestão 2021 – 2022) 

Publicado na edição 10.598, de quarta, quinta e sexta-feira, 4, 5 e 6 de agosto de 2021.