O PT sepulta a diferença entre o certo e o errado

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Antônio Carlos Álvares da Silva

O destaque deste mês foi a crítica raivosa, que a diretoria do PT fez contra a condenação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares pelo STF. O PT, que politiza tudo, acusou o Tribunal de politizar o julgamento. A crítica foi seguida de ruidosas manifestações de rua. Tem gente achando essa atitude escandalosa, porque enfrenta a realidade mostrada na TV e nos jornais. Não entendem, como esses petistas se expõem ao ridículo, ao enfrentar os fatos e a verdade. Para mim, que acompanho a história dos partidos de esquerda, há mais de 50 anos, não existe novidade nenhuma. Desde Lenin, eles defendem, que tudo aquilo feito, para beneficiar o partido, está certo e não merece crítica. É só ver, o que tem sido feito: Nesses 10 anos de governo petista foram nomeados 30 mil sindicalistas e partidários, como membros dos conselhos de empresas estatais, ganhando polpudos salários, para, teoricamente, participar de reunião mensal. Os nomeados para o Conselho da Petrobrás, José Dirceu esteve nessa, recebiam mais de 70 mil reais por mês. Qual o truque? Todos eles autorizavam o desconto de até 20% desses salários para o partido. Se for lembrado, que o partido ainda contou com os milhões desviados no Mensalão, pode se perceber o rio de dinheiro movimentado. Tudo isso, é feito na certeza, que esses atos não precisam seguir a tradicional distinção burguesa, entre o certo e o errado. É correto aquilo, que atende à linha partidária. Já faz parte do DNA. No Brasil, o PT nasceu, com o mote de defender os pobres e destituídos, contra a injustiça do sistema, que sempre privilegiou os burgueses e os ricos. Daí, todos os atos dos pobres, mesmo os mais violentos, contra a lei, devem ser interpretados, como causados pela injustiça social e a necessidade de sair dela. Então, fica plenamente justificada toda a invasão de áreas urbanas e rurais alheias. A lógica se inverte: É a polícia, quem comete violência, ao cumprir a ordem judicial de desalojar os invasores. Ficam justificados até os crimes de roubo e de morte, praticados pelos pobres. Eles têm necessidades. É natural, que tentem supri-las, pelos meios a seu alcance. A maldade humana seria uma mentira. Tudo é fruto da vontade de sair da pobreza imposta pelas elites perversas.
Esse tema foi tratado por artigo de Eugênio Bucci, publicado no Estadão do último dia 15. Ele critica dos partidos de esquerda, que culpam o “sistema” por toda a violência praticada pelos pobres e excluídos do Brasil. Argumenta que, se isso fosse verdade, quanto mais os pobres melhorassem de vida, menos violência haveria. Foi o contrário, que aconteceu: Nos últimos 10 anos, quase 30% da população pobre subiu para a classe média, segundo o governo. E nesse quadro, dos estados, que mais reduziram as desigualdades, 6 deles fazem parte dos 10, onde a violência mais cresceu. Ele anota ainda que, no estado de São Paulo, cujos índices de violência são os menores do Brasil, considerado o número de habitantes, o grande aumento da violência não é praticado por pobres, vem de traficantes de drogas e de armas e de assaltantes de bancos. Conclui, que a ambição é o motor da maioria de todos os crimes, inclusive os praticados pelos chamados pobres. E se o PT está no governo há mais de 10 anos, não tem mais sentido culpar as elites e o “sistema”.
(Colaboração de Antônio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense). 

 

Publicado na edição n° 9478, dos dias 24, 25 e 26 de novembro de 2012.