Outro lado do Hospital Municipal

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Funcionários revelam o cotidiano de atendimento ao público no pronto socorro

Quem ouvir reclamação sobre o funcionamento do Hospital Municipal já deve até ter percebido que as queixas aconteceram em todas as administrações. Todo mundo acha demorado o tempo de atendimento e aponta a falta de atenção de técnicos, enfermeiros e médicos.
Na semana passada tive a oportunidade de falar com funcionários concursados do hospital. Gente que trabalha há mais de dez anos, que diz que há outro lado nesta história, a população precisa mudar o comportamento.
As enfermeiras relatam que muitas vezes são maltratadas por pessoas que chegam no pronto socorro com dor na unha. Apesar de haver triagem, devido aos procedimentos médicos, gasta-se muito tempo em atendimentos que poderiam ser feitos nos postos de saúde.
Com sobrecarga de trabalho, os médicos são obrigados a atender cada vez mais rápido os pacientes, para dar conta da demanda de consultas. Tem gente que diz que o médico mal olhou nela, mas não comenta a fila de pacientes que estava atrás dela.
Não foram raras as vezes que são submetidos a xingamentos, ameaças físicas, empurrões, questionamento de sua capacidade profissional e junto vem o desânimo.
Fora isto, os profissionais ainda têm de aturar interferência de políticos, que pedem para passar pessoas na frente das outras. Todo mundo reclama de corrupção, mas não acha errado procurar vereador ou assessor para dar um jeitinho.
Com a crise financeira, cada vez mais as pessoas vão deixar os convênios para buscar a gratuidade da saúde pública. Para a sustentabilidade financeira do setor será necessário as pessoas colaborarem. Todo mundo sente dor, mas tem casos que são mais urgentes.

Publicado na edição nº 9789, dos dias 6 e 7 de janeiro de 2015.