Precisamos de um deputado

José Mário Neves David

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Bebedouro é uma cidade próspera e desenvolvida. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que leva em conta aspectos econômicos, educacionais e de saúde, é considerado alto para os padrões nacionais e estaduais. A renda per capita é elevada, e o Produto Interno Bruto (PIB), igualmente interessante. A população é, no geral, escolarizada, e sua localização privilegiada, bem servida por boas rodovias e, em breve, ferrovia, tornam nossa cidade um ponto estratégico para investimentos de grupos econômicos de todos os portes, locais, nacionais e internacionais. Há, contudo, uma lacuna em nossa cidade: a ausência de um representante político em âmbito estadual, que verdadeiramente lute pelos interesses e desejos de Bebedouro.
A Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), localizada na capital, é hoje composta por 94 deputados estaduais das mais diferentes regiões do estado. Por certo, cada um destes representantes do povo paulista está no Poder Legislativo para deliberar sobre os interesses de todos os paulistas, mas é certo que estes políticos têm a sua chamada “base eleitoral”, região do estado ou estrato da sociedade com os quais mais se identifica e, claro, obtém votos. Há os que representam sindicatos, forças militares ou civis, linhas de pensamento político ou faixas etárias específicas, mas há, também, os deputados estaduais que são eleitos, representam e defendem os interesses de uma cidade ou região específica do estado de São Paulo. Neste ponto, Bebedouro está órfã já há um bom tempo.
Logicamente, há deputados estaduais eleitos oriundos ou não das cidades da região que aqui receberam votos e hoje defendem os interesses de Bebedouro na capital paulista, mas sabemos, logica e racionalmente, que os interesses de suas verdadeiras e principais bases eleitorais sempre terão preferência em suas agendas. Desta forma, ao não possuir um deputado estadual eleito a representando no Poder Legislativo estadual, Bebedouro é hoje uma cidade próspera e desenvolvida, mas que poderia ser muito mais do que é. Sabemos disso: há hoje, e houve em um passado não tão recente, cidades menores e/ou menos promissoras do que a nossa que receberam muito mais atenção – e recursos – do poder central paulista em razão da existência e atuação de seus representantes na ALESP e junto ao governo estadual. Quem tem padrinho, não morre pagão.
Uma análise rápida e, de certa forma simplista, indica que Bebedouro poderia, sim, eleger um(a) deputado(a) estadual. Há hoje aproximadamente 60 mil eleitores cadastrados em nossa cidade, e nas eleições de 2018, houve deputados estaduais eleitos com menos de 30 mil votos. Obviamente, como ressaltado, esta análise é simplista, pois desconsidera coeficientes eleitorais e outros importantes detalhes do processo eleitoral, porém uma questão fica evidente: se a cidade abraçar um(a) candidato(a) bebedourense com boas propostas, reputação ilibada e vontade de “fazer acontecer”, é plenamente possível que este(a) candidato(a) receba os votos necessários para, ao menos, almejar pleitear uma vaga na ALESP e, caso eleito(a), brigar por recursos, projetos e atenção e cuidado político para nossa cidade em nível estadual.
Estamos no início de 2021 e a próxima eleição em que serão escolhidos os deputados estaduais será realizada em outubro de 2022. Que no próximo um ano e meio possa surgir um(a) candidato(a) bebedourense à ALESP, com boas ideias, boa intenção e vontade de trabalhar por nossa cidade, e que a cidade abrace este(a) candidato(a), para que possamos sonhar mais alto. Sim, nós podemos.

(Colaboração de José Mário Neves David, advogado e administrador de empresas. Contato: jd@josedavid.net.)

Publicado na edição nº 10547, 20 a 22 de janeiro de 2021.