Primeira Comunhão – Bebedouro – década de 1960

Dymiro Vita

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Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com atuação em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente como consultor técnico

Na minha casa em Bebedouro nunca fomos muito religiosos. Meu pai era maçom e pouca ligava pra religião. Minha mãe fazia o contraponto, pois havia estudado no Colégio Católico Anjo da Guarda, mas participava muito pouco de missas e procissões. Portanto esse foi o ambiente religioso em que fui criado. Eu era bem alienado com esse assunto de religião. Como exemplo, no quinto ano do Grupo Escolar no Abílio Manoel, em 1966, com a professora Edmeia Cardassi, eu não entendia quando, na aula de religião (na verdade era aula de religião católica) dois ou três alunos saíam da sala e esperavam a aula terminar para retornar. Até que chegou a época da minha Primeira Comunhão, que é uma tradição católica. Tinha meus 9 ou 10 anos de idade. Avisaram que, pra fazer a Primeira Comunhão, tinha que fazer a confissão com o padre.

Confissão? O que é isso, pergunto eu? Me explicaram que eu teria que contar todos os meus pecados para o padre e, depois de uma penitência, ele perdoaria. Eu ainda não sabia definir o que era realmente pecado. Um pouco assustado, eu disse: “todos”? Aí começa o meu drama. Fiquei abalado. Não dormia direito. Como poderia contar todos os meus pecados ao padre? Eu comecei a me lembrar de alguns pecados que eu pudesse falar ou não. Lembrei-me dos vizinhos de quintal da casa da tia Hilda. Eu judiava muito da Suria, pegava as uvas do Higino Zuchi, pulava o muro do Vitório Cardassi para chegar nos fundos de um bar e pegar tampinhas de garrafa que eu colecionava, no Carnaval ficava na varanda dos fundos da casa da tia Hilda com uma bisnaga de água de quase um litro e molhava todo mundo que passasse, molestava os bêbados famosos de Bebedouro: Lepo, Ramon e Pirão, jogava pedra nas galinhas e gatos e outros “pecadinhos”.

Eu me apavorava com a chegada do dia da tal confissão. Pois bem, no dia da confissão, em um domingo de manhã na Igreja Matriz de São João Batista, estava aquele bando de moleques. Chegou a minha vez. Para meu alivio, o padre fez questões de múltipla escolha. Era só dizer sim ou não. No fim ele me mandou rezar 5 Aves Maria e 5 Pais Nossos. Por minha conta rezei mais uns 50, para eventuais futuros pecados. Passado esse sufoco fui tirar a foto oficial num fotógrafo que tinha em Bebedouro. Terninho branco de calça curta, gravatinha, segurando uma vela e cabelo curto tipo escovinha. Tenho a foto, mas não mostro pra ninguém. Posteriormente comecei a ir à missa todos os domingos às 10h. Mas o que me motivava realmente a ir à missa era ao final comer os deliciosos pasteizinhos com guaraná Paulista da pastelaria Stop, que ficava em frente da Matriz e próxima da Casa da tia Hilda. Bons tempos de pecados perdoáveis (Colaboração de Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com experiência em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente atuando como consultor técnico).

Publicado na edição 11.035, quarta, quinta e sexta-feira, 23, 24 e 25 de setembro de 2026 – Ano 102