Redes sociais: vilãs ou heroínas?

José Mário Neves David

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 Devagar, elas chegaram e adentraram nossas vidas com muita rapidez. O que no início dos anos 2000 era apenas um passatempo se tornou, atualmente, uma fonte inesgotável de diversão e distração, além de uma alternativa de obtenção de renda para alguns e, para poucos, um negócio altamente lucrativo. Esse é o mundo das redes sociais, adorado por alguns e detestado por outros, mas que inegavelmente está constantemente presente em nossas vidas.

No início, os precursores das redes sociais no Brasil – ICQ, mIRC e MSN – forneciam aos usuários a oportunidade de conversarem online com amigos, parentes e até desconhecidos em tempo real, por meio de palavras e animações, com ou sem ferramentas de vídeo e, posteriormente, voz. Uma grande revolução, especialmente para os mais jovens, que varavam madrugadas “teclando” com pessoas das mais variadas regiões e origens. Uma enorme fonte de diversão e azaração, e uma grande dor de cabeça para os pais e as companhias telefônicas, que aos poucos começaram a perceber ali uma fonte de concorrência e, consequentemente, redução de seus ganhos financeiros.

Na sequência, surgiram as redes sociais como hoje efetivamente as conhecemos: um ambiente online de compartilhamento de fotos, opiniões e preferências. O irmão mais velho e grande responsável pela disseminação dessa espécie de rede social no Brasil foi o Orkut, em que pessoas podiam curtir fotos umas das outras, mandar mensagens privadas ou fornecer um depoimento de quanto gostavam daquela outra pessoa – ainda que não fosse tão verdadeiro esse sentimento. Sempre, claro, em um ambiente acessível por todos os membros da rede, numa espécie de “vitrine de mim mesmo” disponível 24h por dia para todos, com os eventuais benefícios e potenciais perigos que isso causou na sociedade da época e causa até os dias de hoje. Posteriormente, outras espécies de redes sociais vieram à tona, dentre as quais Instagram, Snapchat, Twitter e a mais famosa de todas, o Facebook, que acabou adquirindo a primeira e se tornou um enorme conglomerado, hoje denominado Meta.

Na, digamos assim, terceira geração das redes sociais, surgiram os aplicativos de mensagens instantâneas, em que se destacam o Whatsapp, o Telegram e o Signal, e as plataformas de carreira e negócios, como o LinkedIn. Nesse grupo, também estão incluídas redes de namoro e azaração – Tinder e Happn entre as principais – e aquelas que pegaram uma ideia basicamente já existente e a melhoraram, “explodindo” e caindo no gosto dos jovens do mundo todo, como é o caso do famigerado TikTok, uma rede repleta de dancinhas e vazia de conteúdo relevante – os jovens, certamente, irão discordar.

Independentemente de gostarmos ou não das redes sociais, que invadem nossa privacidade sem nem ao menos nos darmos conta – quem nunca viu uma foto sua em um casamento qualquer ir parar no Instagram? – e hoje movimentam bilhões de dólares em receitas e negócios, é inegável que, por mais avessos à exposição e à tecnologia que sejamos, é muito difícil fugir delas. As grandes empresas, os grandes anunciantes, as pessoas mais interessantes (e aquelas nem tanto) estão nas redes sociais, e fica cada vez mais difícil fugirmos delas. O Whatsapp, em especial, é ferramenta de trabalho de muita gente, e quando ele cai, não só ficamos entediados como, também, em alguns casos, perdemos negócios e dinheiro. É um caminho sem volta – ao menos na sociedade ocidental como a conhecemos atualmente.

Amadas ou odiadas, é importante que tenhamos nas redes sociais uma fonte de diversão, mera distração, informação ou de realização de negócios, nunca um ponto de procrastinação ou um espelho da vida real. Infelizmente, hoje existem pessoas que não conseguem ficar sem as redes, utilizando-as horas e horas ao longo do dia, gastando um tempo precioso de vida que poderia estar sendo aproveitado para o aprendizado, para o trabalho ou para o convívio com a família e os amigos. Se bem usadas, as redes sociais geram oportunidades, conexão e boa diversão; se mal-empregadas, geram insegurança, frustração e perda de tempo e energia. Usemo-las bem! E os jovens que me perdoem se esqueci alguma rede social, estou ficando já na turma dos mais velhos – o uso da expressão “usemo-las” deixa isso claro.

(José Mário Neves David é advogado e consultor. Contato: jose@josedavid.com.br).

Publicado na edição 10.661, de sábado a sexta-feira, de 30 de abril a 6 de maio de 2022.