Tanto faz

José Mário Neves David

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Envoltos em uma pandemia que já atingiu a impressionante marca de 100 milhões de infectados pelo Covid-19 no mundo, sendo aproximadamente 9 milhões apenas no Brasil e os lamentáveis 220 mil óbitos em nosso País, é fato que a situação que vivemos, afora as questões econômicas e sociais, representa um grave e relevante problema de saúde pública. Nesta condição, a solução para um problema desta monta é o combate à disseminação descontrolada do vírus, que, na tecnologia e conhecimentos científicos atuais, se dá através da aplicação em massa de vacinas capazes de inocular nas pessoas a capacidade de que seus organismos se protejam do novo vírus invasor.
Sem pretensões de adentrar em explicações técnicas acerca das vacinas e dos mecanismos que geram a proteção das pessoas e a imunidade coletiva ao vírus, é importante ressaltar o esforço mundial para a produção, em tempo recorde, de imunizantes que fossem capazes de combater a Covid-19 e suas diferentes cepas e mutações, esforço este que deu ensejo a diferentes vacinas de variados laboratórios e nações, com diferentes mecanismos de atuação, mas que possuem em comum o combate viral. Felizmente, duas destas vacinas estão sendo introduzidas no Brasil para imunização da população, conforme grupos prioritários de risco e doses disponíveis.
Afora as discussões de natureza política – lamentáveis em tempos de pandemia –, nota-se entre estratos da população brasileira a “preferência” por uma ou outra vacina, conforme a nacionalidade do laboratório responsável pelo seu desenvolvimento ou o percentual de sua eficácia. Contribuem para tais “preferências” alguns boatos disseminados ao largo, especialmente em redes sociais, que confundem a percepção da população acerca da necessidade e importância da vacinação, assim como espalham informações inverídicas acerca dos imunizantes.
A “preferência” pela CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, ou pela vacina desenvolvida em conjunto pela Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca, ambas sediadas no Reino Unido, não faz sentido no atual momento, por duas razões principais.
Primeiro, e mais importante, ambas as vacinas são seguras. Passaram por variadas e rigorosas etapas de testes, inclusive no Brasil, e foram a todo momento acompanhadas pelas autoridades sanitárias do País. Jamais, em hipótese alguma, poderia uma vacina ser liberada para uso da população se houvesse qualquer resquício de perigo iminente às pessoas – e ambas passaram e foram aprovadas em todos os testes. Eventuais reações, de pequena monta, são estatisticamente aceitáveis e historicamente comuns, mas não causam grandes danos ou preocupações que sustentem a falácia de que tomar esta ou aquela vacina é perigoso.
Em segundo lugar, o argumento acerca da suposta baixa eficácia, especialmente da CoronaVac, não é motivo razoável para a não vacinação. Qualquer das duas vacinas colocadas à disposição da população brasileira é altamente eficaz na prevenção das formas mais graves da infecção pelo Covid-19, o que resulta em diminuição substancial do risco de morte causado pelo vírus, além de reduzir drasticamente o percentual de infectados que necessitarão de internação, leitos de UTI e intubação. Neste sentido, tomar a vacina, qualquer que seja, não apenas reduz o risco de morte como também contribui elevadamente para a redução da sobrecarga do sistema de saúde, público e privado.
Assim, é importante que a população brasileira, especialmente as pessoas em grupos de risco e sob maior exposição ao vírus, sejam rápida e devidamente imunizadas, não importando qual vacina seja a que será aplicada. Somente com o combate às informações falsas e aos indevidos preconceitos é que poderemos, conforme maior a quantidade de pessoas vacinadas, defender-nos do Covid-19 e voltarmos à pretensa normalidade, na economia, na saúde e na sociedade. Vacine-se.

(Colaboração de José Mário Neves David, advogado e administrador de empresas. Contato: jd@josedavid.net).

Publicado na edição 10.550 de 30 de janeiro a 2 de fevereiro de 2021.