Viva a Embrapa, a Ciência e o Agro

Arnaldo Jardim

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Ao longo da existência humana, a Ciência tem sido realmente nossa grande aliada e não faltam exemplos de descobertas e invenções que corroboram essa afirmação. O fogo, a escrita e a roda, tão triviais hoje, trouxeram benefícios extraordinários para os povos antigos. A pólvora, a bússola e a prensa remodelaram geopoliticamente o mundo. Sem falar na eletricidade e no automóvel, que trouxeram, no final do século XVIII, comodidade e bem-estar às sociedades em processo de urbanização.

Na área da saúde, a produção científica sempre esteve a nosso serviço, seja no desenvolvimento da “pasteurização”, por exemplo, que trouxe segurança para a alimentação em geral, seja na descoberta dos antibióticos, que nos ajudam, até hoje, no enfrentamento das infecções bacterianas.

Imaginem se não contássemos com a inovação para enfrentarmos a Covid-19. Até o surgimento do imunizante contra o novo coronavírus, produzido em inacreditáveis 10 meses, a vacina mais rápida da história foi a da Caxumba, desenvolvida ao longo de 4 anos.

As invenções, entretanto, são resultado de muita observação, de muito estudo e, no mundo complexo em que vivemos, de crescente investimento em pesquisa científica. Infelizmente, o Brasil investiu, em 2017, apenas 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), em contraposição à Coreia do Sul (4,55%), à Alemanha (3%) e aos Estados Unidos (2,79%). Mas nem sempre foi assim.

No início da década de 1970, soubemos investir inteligentemente na nossa agricultura e os frutos colhemos até hoje – o país se transformou em uma das maiores potências agrícolas e exportadoras de alimentos do mundo. O marco para essa transformação foi a criação, em 1973, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.

Foram dos seus laboratórios que saíram as tecnologias que deram origem a Agricultura Tropical, que permitiu o aproveitamento de extensas áreas do Cerrado Brasileiro, considerado, até então, impróprio para a agricultura. Desde sua criação, a empresa assumiu o desafio de desenvolver um modelo agropecuário genuinamente brasileiro, superando as barreiras tecnológicas que limitavam a produção em solos de elevada acidez. O cultivo da soja no Brasil é um exemplo dessa expertise.

Com o programa de melhoramento genético da leguminosa, foi possível desenvolver cultivares melhores, adaptadas aos diferentes ecossistemas brasileiros, e os estudos sobre nutrição vegetal permitiram a seleção de bactérias mais adequadas à inoculação, substituindo totalmente a adubação nitrogenada. Resultado: a soja, de origem asiática, está totalmente adaptada às condições brasileiras e produz 30 vezes mais do que há três décadas.

A criação da Embrapa deu corpo a uma rede, a uma cultura de inovação agropecuária. Um sistema que reúne instituições centenárias de ensino e pesquisa, como a nossa gloriosa Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Esalq, empresas e institutos estaduais de pesquisa, em especial os Institutos Paulistas de Pesquisa Agropecuária, fundamentais para o incremento da nossa produtividade agrícola.

A Embrapa tem sido fundamental para inovação da agricultura brasileira e será mais importante agora, no enfrentamento de outro grande desafio: o Brasil, em função das mudanças climáticas, precisará promover a transição de toda a sua agricultura para bases mais sustentáveis.

A agricultura é uma importante fonte de degradação ambiental e para ser sustentável, será preciso que o agricultor adote práticas que protejam o solo, a água, a fauna e, principalmente, a vegetação nativa. O pontapé inicial por essa transição foi dado com a implantação do Plano ABC – Agricultura de Baixo Carbono, que objetiva levar ao campo tecnologias de remoção e incorporação do carbono atmosférico. Quem está liderando a transferência dessas tecnologias? Mais uma vez, a Embrapa.

Ao longo dos seus 48 anos de existência, a produção intelectual e a inovação tem sido a sua prioridade. Somente com tecnologia de ponta poderemos estar em condições de competitividade com o resto do mundo. Somente com a pesquisa poderemos alcançar a sustentabilidade ambiental e nos mantermos na vanguarda da produção mundial de alimentos.

Segundo Benjamin Franklin, “Não há invenção mais rentável que a do conhecimento” e o Agro Brasileiro é uma prova disso. Se hoje o setor é responsável por 26,6% do PIB nacional, não podemos esquecer, ao comemorar esse sucesso, da importância da Embrapa.
Parabéns Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Brasil.

(Colaboração de Arnaldo Jardim, deputado federal do partido Cidadania/SP).

Publicado na edição 10.575 de 1º a 7 de maio de 2021.