A Santa Casa sob a direção das Irmãs Passionistas

José Pedro Toniosso

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Nova fachada da Santa Casa de Misericórdia, inaugurada em 11 de fevereiro de 1953, sob a direção das Irmãs Passionistas. (Foto: acervo do autor)

Inaugurada em 1º de janeiro de 1914, a Santa Casa de Misericórdia de Bebedouro teve com primeiro provedor o Cel. João Manoel, sendo sucedido pelo Cel. Alexandre Pulino e, posteriormente, pelo Cel. Raul Furquim. Este período entre a fundação até agosto de 1933 corresponde à primeira fase da trajetória da instituição, que contou com intensa mobilização da sociedade local e regional para viabilizar o atendimento hospitalar.

No entanto, devido a intensa crise financeira em que se encontrava nos primeiros anos da década de 1930, esteve na eminência de encerrar as atividades, quando então foi convidado e aceitou assumir a provedoria, o Cônego Aristides da Silveira Leite, que promoveu completa remodelação administrativa e das instalações, inclusive com a construção de novos espaços.

No período em que esteve à frente da instituição hospitalar, o Cônego confiou os serviços de enfermagem a uma equipe formada por cinco Irmãs Passionistas. Desde março de 1931, também a convite deste pároco, outra comunidade passionista havia se formado em Bebedouro para administrar o Asilo São Vicente de Paulo, que então fora inaugurado.

Concluída a reestruturação, o Cônego decidiu transferir a provedoria da Santa Casa para a “Associação Protetora da Infância”, constituição jurídica da Congregação das Irmãs Passionistas de São Paulo da Cruz, por meio de escritura pública lavrada de 28 de março de 1936, sendo a primeira provedora a Irmã Superiora Assunta Carneiro de Souza.

Desde os primeiros anos de quando assumiu a direção, a nova provedora promoveu diversas inovações, entre elas a construção do Hospital Nossa Senhora Aparecida, em terreno anexo ao da Santa Casa, constituído por novos quartos e apartamentos e instalações de raio-X, laboratório, farmácia, clínica cirúrgica e outras.

A inauguração do novo pavilhão ocorreu em 15 de abril de 1945, com a realização de missa campal, discurso do diretor-clínico, dr. Ramiro de Souza Lima, homenagem a antigos médicos já falecidos, drs. Zacharias Bahia, João Cambaúva e João Antônio Stamato.

Nos anos seguintes, após detalhada avaliação das instalações do prédio da Santa Casa, observou-se a necessidade imediata de várias reformulações, que exigiam a construção de dois novos pavilhões para enfermaria. A primeira alternativa cogitada foi o acréscimo de um novo andar ao edifício, o que foi descartado devido à fragilidade das antigas fundações.

Desta forma, a partir de 1948 ocorreu a total demolição da primeira construção, sendo erguido um novo prédio de três pavimentos, procurando atender a todas as exigências médicas e sanitárias, dando vez a uma nova fachada, sendo mantidas, porém, as quatro palmeiras imperiais já existentes e que se tornaram uma marca da instituição.

A nova Santa Casa foi inaugurada em 11 de fevereiro de 1953, com a presença do bispo da diocese de Jaboticabal, D. José Varani, que celebrou a missa campal e cortou a fita simbólica na entrada do hospital. Entre os convidados, várias autoridades, como o prefeito dr. Pedro Paschoal e diversos religiosos, incluindo padres Franciscanos, Passionistas e Agostinianos e irmãs Dorotéias e Passionistas, além de todo corpo médico e de enfermagem, entre outros.

No térreo foram instaladas a portaria e o atendimento do pronto socorro; no primeiro andar, a enfermaria masculina, com 28 leitos, e a feminina, com 24 leitos; e no segundo andar, a maternidade com 30 leitos, berçário e demais instalações, além do hospital infantil, com 24 leitos.

Nas comemorações do cinquentenário das Passionistas, na Santa Casa em 1984, foi apresentado um breve balanço, no qual constava que 158 irmãs passaram pela instituição, sendo que naquele ano, 17 estavam a postos. Quanto ao corpo clínico, neste período de 50 anos, 53 médicos exerceram sua profissão, sendo que 37 compunham a equipe médica no ano do jubileu. Quanto ao número de atendidos até então, chegou-se à expressiva marca de 988.457 pacientes.

No ano de 2005, conforme publicado na edição de 5 de outubro da Gazeta de Bebedouro, um grupo de médicos da Santa Casa informou oficialmente sobre as negociações para a compra do hospital. Com a transferência da mantenedora, as irmãs Passionistas mantiveram-se somente na direção do Recanto São Vicente de Paulo, assunto a ser abordado em outro artigo.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.810 de sábado a quinta-feira, 16 a 21 de dezembro de 2023