Ciências e tecnologia: 16 anos de vida

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Ciências e tecnologia: 16 anos de vida

A Gazeta de Bebedouro vem discutindo ciência e tecnologia com os seus queridos leitores há exatos 16 anos. Em 2002 lançamos esta coluna com o objetivo de contribuir um pouco mais com a imensa e desafiadora tarefa do jornal em levar ao seu leitor informação de qualidade e, principalmente, de responsabilidade.

Ciência nunca foi de fato uma pauta popular em um cenário de realities como big brother, a fazenda, o aprendiz, e no limite. Pelo contrário, o olhar sobre a vida alheia e a fofoca parecem engolir inexoravelmente quaisquer estímulos de atenção voltados para a cultura e o desenvolvimento intelectual. Aliás, de acordo com Yuval Noah Harari em seu livro Uma Breve História da Humanidade, foi a própria fofoca um dos fatores determinantes que levou nossa espécie a sobrepujar as demais na corrida pela sobrevivência do gênero Homo depois de alguns milhões de anos de competição. Não seria lógico querer simplesmente acabar com a fofoca e instaurar em seu lugar chás de ciência, como se a população fosse tomá-los e automaticamente se transformar em seus discípulos cartesianos como num passe de mágica. Contudo, a despeito das agruras televisivas, a coluna sobreviveu e está aqui inteirinha à disposição do leitor. 

A saúde da ciência

Não se pode dizer que o Brasil foi um grande expoente da ciência mundial, mas já viveu dias melhores dos que os atuais. Houve um passado, não tão distante, em que os nossos cientistas vislumbravam um horizonte mais previsível e estável, com mais recursos, mais desenvolvimento e melhores oportunidades de fazer uma ciência dita de primeiro mundo. Com a crise política que vem assolando o país e a derrocada econômica que tem tomado de assalto a cidadania dos brasileiros, a ciência nacional está literalmente entrando pelo ralo. Não vou aqui incomodar o leitor com números e estatísticas complicadas, mas vou citar somente o número que a dívida da Petrobras pode atingir: 40 bilhões de reais.

Na esteira dessa mistura de roubo com incompetência, laboratórios como o Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC), vinculado à própria Petrobras, é obrigado a cortar 30% de seus pesquisadores; estudos sobre o vírus zika – que até bem pouco tempo correu os noticiários do mundo – estão literalmente parados na Fiocruz de Pernambuco devido à falta de material; a Embrapa, pioneira na pesquisa de ponta do agronegócio nacional, está passando por dificuldades. . Esses são alguns poucos exemplos que mostram que a ciência brasileira está definhando, perdendo a cor e as oportunidades de colocar o Brasil na pauta da ciência mundial.

Os impactos da ciência na vida dos cidadãos 

Muito embora os cientistas não sejam os melhores comunicadores do mundo e a pesquisa científica não esteja na lista de prioridades da população, os resultados da ciência certamente nos acompanham em todos os lugares por onde vamos. A começar pelos alimentos mais básicos que ingerimos. Grande parte deles foi importada de outros países e por muita pesquisa foi adaptada aos solos, climas, pragas e métodos de cultivo nacionais. A soja é um bom exemplo. De origem asiática, ela adaptou-se muito bem ao clima quente do país e tornou-se o nosso principal produto de exportação. . Outros exemplos como o gado zebuíno, de origem indiana, o café, de origem africana, ou ainda a laranja, de origem asiática, são produtos que dependeram fundamentalmente da pesquisa científica para ganharem produtividade e se tornarem alimentos do nosso cotidiano.

Do segmento automotivo podemos dizer que jamais teríamos a gasolina ou o diesel dos poços profundos situados nas costas brasileiras se não fossem as pesquisas petroquímicas. Ou o etanol, cuja extração da cana-de-açúcar ganhou muito em produtividade e qualidade.

A maior biodiversidade do mundo que pertence ao Brasil só pode ser reconhecida como tal devido ao incansável trabalho de muitos biólogos em campo e em laboratórios espalhados pelo país. E dessa biodiversidade conseguimos criar inúmeros fármacos que salvaram e continuarão salvando milhares e milhares de vidas.

Sim, a ciência tupiniquim faz muita diferença na vida dos cidadãos brasileiros. Sem ela vamos ter que comprar de fora a preços exorbitantes, muitas vezes obsoleta e de difícil adaptabilidade. Um verdadeiro prejuízo.

Definitivamente precisamos mudar o rumo dessa história. As eleições logo estarão batendo a nossa porta e temos que aproveitar a oportunidade para não eleger mais essa corja de vagabundos, verdadeiros bandidos disfarçados de representantes do povo. Não se deixe enganar, exerça a sua cidadania.