
O agronegócio brasileiro enfrenta, simultaneamente, dois grandes desafios: a política do piso mínimo do frete rodoviário e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos da América (EUA) às exportações nacionais. Três aspectos merecem atenção: a elevação dos custos logísticos internos, a perda de competitividade externa e a insegurança jurídica gerada por ambos.
No plano interno, o endurecimento da fiscalização do piso do frete restringe a livre negociação, encarece o escoamento da safra e inviabiliza práticas como o frete de retorno, com repasse inevitável ao preço de insumos e alimentos. No plano externo, a sobretaxa americana, que alcança cadeias relevantes, como café, madeira, sebo e açúcar, encarece o produto brasileiro no destino e impõe dificuldades e burocracias adicionais ao exportador.
Da conjugação desses dois fatores reside a insegurança jurídica para o setor, que resulta em liminares, disputas regulatórias e imprevisibilidade contratual. Esse cenário de elevada incerteza aumenta o custo de capital, dificulta o planejamento e desestimula a realização de investimentos.
Nesse contexto, produtores, cooperativas e tradings devem tratar logística e comércio exterior como variáveis estratégicas de gestão, adotando diversificação de mercados, conformidade documental e proteção contratual, a fim de preservar a competitividade do agronegócio nacional.
(Colaboração de José Mário Neves David, advogado, conselheiro e professor. Contato: jose@josedavid.com.br).
Publicado na edição 11.020, sábado a sexta-feira, 18 a 24 de julho de 2026 – Ano 102



