Dificuldades de fazer o bem

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Luta de entidade de tratamento aos dependentes químicos é amostra das barreiras.

À frente da ONG Casa de Sião, a missionária evangélica Ana Lúcia dos Santos, que mantém trabalho direcionado para tratamento de dependentes químicos e em álcool, desabafa a dificuldade em manter a instituição.
Instalada às margens da Rodovia Brigadeiro Faria Lima, nas proximidades de um Pesque Pague e chácaras residenciais e agrícolas, os obstáculos da ONG começam na dura convivência com a vizinhança, porque, convenhamos, ninguém quer por perto, um local de tratamento de drogados, por preconceito e medo.
Outra batalha é atender as exigências dos órgãos fiscalizadores, como o Conselho Municipal de Saúde, Vigilância Sanitária e até órgãos municipais ligados à Promoção Social. São e devem ser normas rígidas, porque o tratamento de drogas deve ser realizado com base em normas que garantam o restabelecimento do viciado, para reinserção social.
Apesar da droga atingir várias classes sociais, etnias e não poupar nem famílias com educação religiosa, a entidade não conta com tantas doações quanto uma ONG que trabalhe com crianças e adolescentes. Todo mundo reconhece que a droga é um problema, mas poucos vão além dos discursos. Na verdade, infelizmente, o consenso é que todo viciado deveria parar atrás das grades.
Dá para perceber esta carga de preconceito pelas redes sociais quando o Governo de SP lançou o Cartão Recomeço, chamado pejorativamente de Bolsa Crack. O recurso é destinado apenas a entidades de tratamento de drogas, mas equivocadamente tem gente pensando que o viciado terá acesso ao dinheiro para comprar mais entorpecentes.
Acompanhando de perto, o trabalho da ONG Casa de Sião, vejo que há muita campanha de prevenção à droga, com realização até de passeatas. Isto é importante, para evitar que os jovens entrem em contato com os entorpecentes, mas também é vital tratar das pessoas que foram seduzidas pelos alucinógenos.
Enquanto o Governo Federal não colocar na prática a antiga promessa das eleições de 2010, de investir em clinicas de tratamento, este serviço continuará sob responsabilidade de voluntários como Ana Lúcia dos Santos, que todo mês tem de passar o chapéu para quitar a folha de pagamento, encargos e custo de manutenção da entidade.

(…)

Leia mais na edição nº 9557 dos dias 11 e 12 de junho de 2013.