

Vale lembrar primeiramente que concluí o curso primário no Grupo Escolar Conrado Caldeira, em 1965, em Bebedouro. Eu tinha 10 anos de idade. Portanto, eu deveria ter feito o exame de admissão ao ginásio. Por questões não muito bem explicadas para mim, em vez de ingressar no ginásio, tive que fazer o quinto ano do primário no Grupo Abílio Manoel em 1966, curso até então inexistente. Para tanto, foi construída no pátio do recreio uma sala especialmente para o 5° ano primário. A professora era Dona Edmeia Cardassi, esposa de Vitório Cardassi. O diretor do grupo era o sr João Madeira, são paulino e um pouco rigoroso, mas nada comparado ao impiedoso sr Franz Tribst, diretor do Grupo Escolar Coronel Conrado Caldeira.
Conheci novos colegas que se tornaram amigos com destaque para o Ado, que continuou a estudar na mesma classe nos dois primeiros anos do ginásio no IEPC – Instituto Estadual de Educação Dr Paraíso Cavalcanti, no período da tarde. Recordo-me que, em 1966, escutamos a Copa do Mundo de Futebol pelo rádio, porque não havia transmissão pela TV. Acompanhamos tristemente o Brasil ser eliminado por Portugal. AÍ aconteceu o fato que me marcou. No meu primeiro dia das férias de julho, eu saí perambulando, com uma turma de moleques, pela cidade para fazer exploração. Passamos por alguns lugares e fomos até o largo da Igreja São Benedito, local descentralizado, e depois descemos até o campo de futebol do São Paulo Goiás, que ficava ao lado do cemitério, onde é atualmente o velório municipal.
Seguimos por uma estrada de terra, onde se situavam algumas indústrias, principalmente de suco de laranja. As indústrias depositavam na beira da estrada pilhas de rejeito em forma de escória. O primeiro menino da turma pulou de botinas no monte de escória e não reclamou de nada. Eu, com minha sandália havaiana amarela, também pulei. Senti meus pés queimarem e uma dor terrível. Era uma escória com brasa no meio. O meu chinelo chegou a derreter e grudou no meu pé. Vim andando de lá, com os pés ardendo e em brasa, até a minha casa na rua Antônio Alves de Toledo, 242, na região central da cidade. Uma boa caminhada. Quem me levou na Maternidade Santa Terezinha foi a minha cunhada Terezinha, que, por acaso estava na minha casa, e tinha recém mudado para Bebedouro, depois de se casar com meu irmão Paulo Sérgio de Almeida. No hospital, constataram queimaduras de terceiro grau. Resultado: passei os 30 dias restantes de férias com os pés enfaixados na cama. Recordo-me que o Paulinho da tia Hilda e o Turco Fadala iam quase todos os dias me visitar em casa. Foram férias perdidas. Tenho sequelas até hoje desse terrível incidente. Tenho que proteger bem os meus pés antes de me expor ao sol. Uma vez, em Recife, me descuidei e tive que ficar três dias de molho no hotel sem poder ir à praia. Experiências que a gente não esquece.
(Colaboração de Waldomiro Almeida Junior, bebedourense de coração, engenheiro civil com experiência em barragens e usinas hidrelétricas, atualmente atuando como consultor técnico).
Publicado na edição 11.034, sábado a terça-feira, 19 a 22 de setembro de 2026 – Ano 102



