O céu pode esperar

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A curiosidade latente sempre moveu o homem por caminhos desafiadores. Mesmo havendo um mito de que o mar terminaria num grande abismo devido à dimensão plana do planeta, grandes navegadores medievais empunharam a coragem e destemidamente foram ao seu encontro sem encontrá-lo, é verdade. Ganharam em troca o conhecimento de um mundo maior, com terras e povos diferentes daqueles conhecidos pelo velho mundo.
Alguns milhares de anos antes dos navegadores o próprio homem pré-histórico saiu de seu berço natal na África para conquistar outras regiões onde o alimento poderia ser encontrado com mais facilidade e com menos competitividade.
Com a efervescência tecnológica do século 20, o homem, que já mirara o céu desde os antigos sumérios, apontava não só os seus telescópios para suprimir a miopia congênita, mas também enviava as suas pequenas naves espaciais com mensagens para quem pudesse ouvi-las em alguma outra parte do Universo. A nave Voyager 1, lançada em setembro de 1977, leva consigo um disco de cobre coberto a ouro com mensagens de saudações em 55 línguas – incluindo o português – sons de pássaros, vento e água, além de várias obras musicais. Já viajou mais de 14 bilhões de quilômetros e hoje encontra-se no limiar do sistema solar, pronta para enfrentar o espaço interestelar.

A busca terráquea
A despeito dos esforços em encontrar vida fora da Terra, nenhum sinal, por menor que seja, foi até hoje entendido como algo próximo em nos avizinhar perante novas civilizações. Todas as missões enviadas por nós ao espaço jamais conseguiram detectar vida inteligente ou microbiana fora do nosso planeta.
Os esforços aqui na Terra também não prosperaram. O mais famoso desses esforços tem sido empreendido há anos pelo Instituto SETI – Busca por Inteligência Extraterrestre (traduzido da sigla em inglês), que através de suas potentes antenas capta sinais de rádio vindos do espaço e os analisa para saber se se trata de uma comunicação inteligente proveniente de alguma outra civilização existente no Universo.
Devido à crise econômica que tomou conta de muitos países, incluindo os EUA e a Europa em 2010, houve um profundo corte no orçamento da manutenção e funcionamento do Allen Telescope Array, um importante conjunto de 42 antenas de rádio pertencentes ao SETI. Isso o colocou em estado de hibernação até que o Instituto consiga novos patrocinadores. Essas antenas foram construídas a partir de uma doação de Paul Allen, co-fundador da Microsoft, no valor de US$13,5 milhões.

Enquanto os ETs não aparecem
Se os sinais vindos do céu, sejam através de nossas pequenas sondas espaciais ou sejam através das ondas de rádio por nós captadas, não florescem, o negócio é continuar saboreando a criatividade humana em torno dos extraterrestres “quase humanos”. Quem não se lembra do caso Roswell, ocorrido em 1947 quando supostamente um disco voador de origem extraterrestre caiu nas cercanias da cidade norte-americana de Roswell, contendo seres ainda vivos que foram capturados pelo exército americano? Ou, quem não se lembra dos ETs de Varginha, cidade mineira em que foram capturados três seres extraterrestres e levados para a Universidade de Campinas em 1996?
Somados a estes casos, centenas de outros povoam as mentes brilhantes de ufólogos e apreciadores da ufologia mundo afora, criando uma sensação provisória de conforto de que não estamos sozinhos nesse imenso universo. Mas será que estamos?

(Colaboração de Wagner Zaparoli, natural de Bebedouro, doutor em Ciências pela USP, mestre em Ciência da Computação, professor de lógica e consultor. E-mail: wzaparoli@gmail.com).

Publicado na edição n° 9536, dos dias 18 e 19 de abril de 2013.