‘O Tarô da Morte’ não soube usar os clichês do terror a seu favor

Marcos Pitta

0
8
Não compensa - ‘O Tarô da Morte’ chega aos cinemas, mas não inova. Filme é ruim e não agrada os fãs do gênero. Foto: Reprodução/Internet

Estreou nos cinemas ‘O Tarô da Morte’, mais um filme de terror, um dos gêneros queridinhos dos cinéfilos. Acontece que, em pleno 2024, a imaginação dos roteiristas parece estar indo embora e está cada vez mais complicado ir ao cinema ou acessar um streaming e ver uma produção de terror que vá além da qualidade e apresente história original e envolvente.

Com este filme, esta teoria se confirma. É importante dizer, antes de mais nada, que o longa é baseado no livro de mesmo nome, de  Nicholas Adams, que também assina o roteiro ao lado de Anna Halberg e Spenser Cohen e se as páginas literárias transmitiram empolgação para adaptar a história para o audiovisual, o conteúdo filmado não segue o mesmo caminho e sair do cinema satisfeito é quase impossível.

‘O Tarô da Morte’ apresenta uma premissa interessante e reúne, sem modéstia, todos os clichês de filme de terror do estilo. Um grupo de amigos da faculdade comete o erro fatal de violar uma regra fundamental: nunca usar o baralho de tarô de outra pessoa. Ignorando esse aviso, eles, de forma irresponsável e inocente, libertam um mal indescritível preso nas cartas, desencadeando uma série de eventos aterrorizantes. À medida que cada um dos amigos enfrenta seu destino predito pelas cartas, eles se veem presos em uma corrida desesperada contra a morte.

Nesta parte, dadas às proporções e com o devido respeito, o longa lembra um pouco o que acontece em ‘Premonição’, quando a morte vai perseguindo um por um. Mas, a famosa e aceitável fase ‘nada se cria, tudo se copia’, foi um tiro no escuro. Outro clichê bem utilizado foram cenas aterrorizantes envolvendo a sequência da morte dos personagens. Em questão de efeitos especiais, tudo foi feito com bastante profissionalismo, mas as atitudes dos personagens em caminhar para a morte é quase que inaceitável, nos dias de hoje. Aquela história do personagem burro que se entrega para o mal praticamente de graça é um clichê batido que precisa rapidamente ser renovado.

Mesmo com sequências eletrizantes, efeitos bem montados e edição ágil, o filme não empolga. Isto não quer dizer que a história em si seja ruim. A premissa é boa, a ideia é interessante, mergulhar neste universo do tarô e misturá-lo aos signos, explicando um pouco do horóscopo e como as mortes são guiadas neste sentido característico é bem legal, mas não o suficiente para segurar o público fã de terror. Precisava de algo menos óbvio, afinal, logo no começo o espectador mais interessado já consegue sacar quem vai morrer, quem vai sobreviver e até mesmo pontuar como vai ser o final.

Se houve um ponto positivo na criatividade foi a revelação do motivo pelo qual o mal existe nas cartas de tarô. Este argumento foi bem fundamentado e explicado e, talvez isto, devesse ter sido mais bem explorado.

Para quem se interessar em ver, não chega a ser perda de tempo. Mas, não vale o preço do ingresso, compensa aguardar a entrada em algum streaming. Vale a assistida, mas não merece uma segunda chance.

Publicado na edição 10.846, de sábado a quarta-feira, 25 a 30 de maio de 2024