Tradição no ar: a história do Aeroclube Bebedourense

José Pedro Toniosso

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No Aeroclube, em 1949, grupo de alunos do curso de piloto junto a um avião “Paulistinha”. No centro, o piloto instrutor Júlio Ferreira do Carmo. Foto: acervo do autor, aprimorada com IA

Na primeira metade do século XX, o Brasil vivenciava a expansão da aviação civil, impulsionada por campanhas nacionais que viam nos aeroclubes a base para o desenvolvimento do país e a formação de novos pilotos.

Bebedouro não ficou de fora desse movimento de modernização aeronáutica e movida pelo entusiasmo de lideranças locais e cidadãos apaixonados pela aviação, a comunidade bebedourense se uniu para dar asas ao município, criando uma instituição que resistiria ao tempo e transformaria a cidade em referência no setor.

Foi assim que em reunião realizada em 12 de maio de 1941 e que contou com a participação de vários cidadãos, ocorreu a fundação do “Aeroclube Bebedourense”. Na ocasião foi eleita a diretoria provisória, assim constituída: Presidente de Honra, Antônio Alves de Toledo (então prefeito); presidente, Dr. Oscar Werneck; vice-presidente, Dr. Francisco Oliva; 1º secretário, Tibúrcio Gonçalves Filho; 2º secretário, Antônio Simões Leistener; 1º tesoureiro, Francisco Borges da Cunha; 2º tesoureiro, Mauro de Abreu Izique; diretor de material, Carlos Tavares; diretor da Escola de Pilotagem, Armando Araújo Jordão.

Em 15 de dezembro ocorreu assembleia para aprovação dos estatutos e eleição da diretoria, sendo escolhido para presidente Armando Araújo Jordão e para vice-presidente Luiz Martins Araújo.

A autorização para funcionamento do Aeroclube local foi expedida pelo Ministro da Aeronáutica em 13 de maio do ano seguinte e na sequência foi iniciada a construção de um hangar para atender ao movimento de aeronaves.

Outra iniciativa foi a contratação do piloto Augusto Marinho de Azevedo para ministrar um curso de pilotagem civil, sendo abertas 20 vagas, cujas inscrições deveriam ser feitas na sede da entidade, na rua Alfredo Ellis (atual Dr. Oscar Werneck), no. 360.

Para a realização das aulas foi adquirido um avião marca HL-1, de prefixo PP TSK, pelo valor de 50 mil cruzeiros, sendo metade com recursos públicos e outra parte com recursos do próprio Aeroclube, advindos das mensalidades pagas pelos sócios. Ainda no final de 1942 a entidade recebeu um avião destinado pela Campanha Nacional de Aviação e que fora doado pelo empresário Marcel B. Lafont. O aparelho recebeu o nome do aviador francês Henri Guillaumet, e foi recebido entusiasticamente pelos bebedourenses.

O primeiro grupo de bebedourenses que recebeu carta de piloto-aviador (brevê) foi constituído de oito concluintes, sendo eles: Eucherio Amado, Florival Silveira, Humberto Marques, Ignacio Ferrero, Luis Prantera, Miguel Fernandes, Nelson Gagliardi e Waldemar M. Castro. Em 1944 a segunda turma teve 14 aprovados. O então presidente do Aeroclube, tenente aviador Luiz Marques Araújo participou das bancas examinadoras e da diplomação das duas primeiras turmas.

Nas décadas seguintes o Aeroclube passou por dificuldades de manutenção e chegou a ser interditado pelo Departamento de Aviação Civil. Em 1977 foi realizada assembleia com o objetivo de restabelecer as atividades, sendo aprovado novo estatuto e eleita diretoria, mas o fechamento do aeroporto local no ano seguinte resultou em nova paralisação da entidade.

Somente em 1988, com a inauguração do novo aeroporto, é que o Aeroclube retomou as atividades, com ênfase no voo a vela ou voo planado, promovendo diversos campeonatos locais, regionais e nacionais, além de realizar a formação de pilotos para esta categoria. Como sede dos campeonatos Bebedouro adquiriu projeção nacional e internacional, o Aeroclube local tornou-se um dos mais movimentados do país, recebendo muitos competidores e turistas, o que faz da cidade verdadeiro polo do volovelismo.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 11.014, sábado a sexta-feira, 20 a 26 de junho de 2026 – Ano 102