20 anos de muita determinação

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Fevereiro traz uma marca admirável à nossa coluna – chegamos aos vinte anos de vida. Admirável e surpreendente, pois o tempo voou nessa jornada em prol da ciência e de sua popularização. Parece que foi outro dia em que a iniciávamos em nossa querida Gazeta de Bebedouro escrevendo sobre a vida de uma mulher, que a despeito de sua importância para a evolução do conhecimento, caiu em esquecimento profundo sem deixar rastros ou vestígios. Falo aqui de Mileva Maric, primeira esposa de Albert Einstein e possivelmente uma grande parceira no desenvolvimento das teorias que levaram o ano de 1905 a ser considerado o ano miraculoso da física teórica, no qual o ainda jovem Albert produziu cinco trabalhos excepcionais que mudariam para sempre o cenário da física moderna e lhe possibilitaria, anos mais tarde, a ganhar o prêmio Nobel de física (1921).

Daquela primeira experiência de fevereiro de 2002 até hoje já publicamos mais de 700 artigos nas mais variadas matizes relacionadas à ciência e à tecnologia. O pano de fundo que nos guiou nessa rica trajetória, sem sombra de dúvida foi a natureza humana e seu complexo relacionamento com o universo. Não que o homem mereça algum privilégio em relação às outras instâncias do nosso mundo, mas por ser ele um importante elemento de transformação que fez com que tanto ciência quanto tecnologia evoluíssem de modo fascinante e perene.

Confiança contaminada

Ganhar a atenção pública falando de ciência nunca foi tarefa trivial. Talvez nos falte a habilidade necessária para transmitir a informação em sua forma inteligível ou talvez o assunto normalmente tende a uma complexidade severa, mas o fato é que pequena parcela da população mundial se encanta com a peregrinação da ciência e dos cientistas.

Mesmo em países desenvolvidos como no Japão a desinformação muitas vezes atropela o caminho da ciência em busca da transparência e da verdade. Para se ter uma ideia, por lá 77% da população declaram desconfiar da ciência. Na França, país que nos deu Antoine Lavoisier, Louis Pasteur e Marie Curie, um terço de sua população não acredita nos benefícios das vacinas. Aqui no Brasil, no qual o abismo educacional nos envergonha, 73% desconfiam da ciência e 23% consideram que a produção científica pouco contribui para o desenvolvimento social e econômico do país.

E têm aqueles que jogam descaradamente contra: terraplanistas, antivacinas, criacionistas e outros istas criminosos – não encontro adjetivo mais apropriado – que literalmente envenenam a população tanto com o desconhecimento quanto com a desinformação.

O impacto disso é grandiosamente pernicioso para a humanidade. Para ficarmos em um único exemplo lá da França mesmo, entre 2017 e 2018 houve um aumento de 462% no número de casos de sarampo no país. Que belo retrocesso!

A importância desarquivada

Apesar dos constantes flagelos, para a nossa alegria a ciência nunca desiste e vez ou outra ela acaba encontrando os seus momentos de glória. Nos últimos dois anos a humanidade viveu uma experiência que há muito não vivia. A pandemia de Covid não só causou um estrago econômico no mundo, quanto destruiu quase seis milhões de vidas, isso sem pesar os sobreviventes com grandes sequelas que levarão muito tempo para se reestabelecer.

Entretanto, não fosse pela ciência certamente esses números seriam muito mais devastadores. A rapidez com que os cientistas conseguiram disponibilizar uma solução – as vacinas – para toda a sociedade mundial foi algo magnífico. Independentemente dos percalços que cada país passou e ainda passa para vacinar sua população a fim de eliminar o problema, o fato é que a importância da ciência foi definitivamente notada. Pode até ser que daqui a alguns meses o futebol, a novela ou o BBB venham a ofuscar essa importância, mas não se pode negar que ela – a grandiosa ciência – foi desarquivada para o bem da humanidade.

Singela e humildemente nós por aqui pretendemos continuar propagando ativamente e com toda a transparência as evoluções da ciência. E evidentemente precisamos de sua companhia, querido e iluminado leitor. Sem você nós não existiríamos a tanto tempo. Para você deixamos os nossos sinceros agradecimentos e o convite para que fique sempre ao nosso lado participando dessa fascinante jornada.

(Colaboração de Wagner Zaparoli, doutor em ciências pela USP, professor universitário e consultor em tecnologia da informação). 

Publicado na edição 10.644, de sábado a terça-feira, de 12 a 15 de fevereiro de 2022.