Escola Abílio Alves Marques ou Abílio Manoel? A confusão gerada pela troca de nomes e endereços das escolas na década de 1970

José Pedro Toniosso

0
417
Troca - Fachada da “Escola Estadual de 2º Grau Abílio Manoel” em 1976, denominação alterada no ano seguinte para a atual “Escola Estadual de 2º grau Abílio Alves Marques”. (Foto: Acervo do autor)

Em 26 de abril de 1913, como parte do processo de disseminação da instrução elementar promovida pelo governo do Estado de São Paulo, era inaugurado o Grupo Escolar de Bebedouro, com arquitetura imponente e localização privilegiada no centro da cidade. Em agosto de 1937, o Grupo passou a ser denominado “Abílio Manoel”, homenageando um dos mais relevantes nomes da história local.

Nas décadas seguintes, atendendo a crescente demanda do ensino primário, outros grupos escolares seriam fundados, tais como o Cel. Conrado Caldeira, em 1942 e José Francisco Paschoal, em 1955, além de dezenas de salas isoladas, tanto na área urbana como na rural.

Outro grupo seria construído no início da década de 1960, no final da rua Lucas Evangelista, em terreno doado pela família de Aderval Guimarães Marques. Inaugurado em 13 de janeiro de 1963, recebeu o nome do pai do doador, “Cel. Abílio Alves Marques”.

No ano de 1975, com o processo de reestruturação da rede física do ensino oficial implementado pelo Estado de São Paulo, ocorreu a extinção de todos os grupos escolares, assim como dos ginásios, colégios e institutos existentes, os quais foram convertidos em  instituições de 1º e/ou de 2º grau.

Entre os estabelecimentos estaduais de ensino de Bebedouro, o então Grupo Escolar Abilio Manoel foi suprimido e o grandioso prédio ficou ocioso, pois todos os alunos do ensino de 1º grau da região central foram transferidos para a Escola Estadual Dr. Paraíso Cavalcanti.

Com isso, a Prefeitura Municipal divulgou a intenção de instalar naquele espaço um “Centro Cívico”, abrigando a Biblioteca Municipal, IBGE, Delegacia de Ensino, Ministério do Trabalho, Delegacia do Recrutamento Militar, Promoção Social do Estado, LBA, Assistência Social do Município e Câmara Municipal.

O então prefeito, Sérgio Sessa Stamato informava também que iniciara negociações para aquisição do prédio onde funcionava o Ginásio e Escola Técnica de Comércio Vicente César, e se o acordo prosperasse, as demais casas daquela quadra seriam desapropriadas e assim, todas as repartições públicas municipais ficariam próximas à Prefeitura.

Quanto ao Grupo Escolar Abílio Alves Marques, da rua Lucas Evangelista, foi redefinido como Escola Estadual de 2º Grau, modificando totalmente o segmento educacional que oferecia. Tal mudança resultou em um grande problema: como a instituição, originalmente construída para o ensino primário, poderia acolher os alunos adolescentes, considerando que suas instalações, mobiliário, material pedagógico e demais recursos, eram todos voltados para o público infantil? Mesmo as instalações elétricas eram inadequadas para a iluminação das classes utilizadas no noturno, período em que não havia aulas quando era um grupo escolar.

Tal situação gerou um movimento reivindicatório da própria comunidade escolar, que não via sentido em permanecer em um prédio inapropriado na rua Lucas Evangelista, enquanto que havia outro disponível e fechado, na região central. Com isso, em abril de 1976, os 570 alunos da Escola Estadual Abílio Alves Marques foram remanejados para o prédio do extinto Grupo Escolar Abílio Manoel que, portanto, não foi transformado em um “Centro Cívico” do município.

Porém, não bastasse a questão dos prédios e endereços, houve ainda a troca dos nomes das mesmas, pois concomitantemente, o Colégio Técnico Industrial da avenida Quito Stamato, inaugurado em setembro de 1975, passou a ser denominado Escola Estadual de 2º Grau Abílio Manoel, oferecendo os cursos de Enfermagem e Mecânica.

Descontente com tantas mudanças, a população pressionou para que tudo fosse regularizado e, desta forma, em 1977, a escola central passou a ser denominada “Escola Estadual de 2o grau Abílio Manoel”, recuperando o nome de seu antigo patrono, enquanto que a escola existente na avenida Quito Stamato, passou a ser a “Escola Estadual de 2º grau Abílio Alves Marques”, acabando com a confusão que fora instaurada.

Quanto ao prédio da rua Lucas Evangelista,  este passaria a sediar a Delegacia de Ensino de Bebedouro, que permaneceu neste endereço até sua extinção, no final da década de 1990. Posteriormente, foi instalado no local, o Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos Prof. Hernani Nobre, onde permanece desde então.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense. www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.736 – De sábado a terça-feira, 25 a 28 de fevereiro de 2023