Respeitem os cabelos brancos

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Famílias precisam resgatar o amor e a reverência aos seus idosos.

Na tradição africana, há muito respeito pela figura dos anciãos, como reverência ao valor da sabedoria e da experiência. Em algumas etnias, os idosos são os griots – espécie de contadores de histórias. Tanto é que o poeta Hampaté Bah, do Mali, dizia que “quando morre um africano idoso, é como se queimasse uma biblioteca”.
No ocidente criou-se a estranha mania de deixar os idosos em asilos, ou casas de repouso. Deixar é uma palavra amena para o abandono. Muitos que estão no Recanto São Vicente de Paulo, Vila Lucas Evangelista e outras, perderam na recordação a última vez que foram visitados pelos parentes.
Esta tendência reduziu-se recentemente, apenas pelo fator econômico. Com aposentadoria, os idosos podem fazer empréstimos consignados. Os parentes mais espertos os mantêm, mas cobram este inusitado ‘pedágio’. Para piorar, nem sempre arcam com as prestações e os aposentados acabam sem recursos.
Infelizmente, isto também pode ser fruto da cultura de massas, onde os atores e atrizes mais velhos praticamente não têm espaço em propagandas, novelas e filmes. Quando têm são mostrados de forma caricata.
Por isto, é admirável ver as famílias que ainda mantêm em casa até os fins dos dias, os pais, avós e até bisavós. É quase uma cena de filme antigo, ver todos reunidos em torno do ancião para pedir bênçãos e conselhos. E todo mundo ganha com isto: eles recebendo atenção e respeito e retribuindo com suas experiências, porque o mundo ficou mais tecnológico, mas na raiz, os problemas são os mesmos de 50 ou 60 anos atrás.

Publicado na edição nº 9613, dos dias 22 e 23 de outubro de 2013.